Túnel subaquático entre Crimeia-Rússia será "um cordão umbilical indestrutível", mas conseguirá o Kremlin construir o seu "projeto secreto"?

Ponte de Kerch (AP)

A Crimeia foi a primeira região ucraniana a ser ocupada pela Rússia e é como um ponto geoestratégico fulcral para a “operação militar especial” na Ucrânia, ligado ao território russo pela Ponte de Kerch – estreito que separa o Mar Azov do Mar Negro. Esta infraestrutura suspensa já foi alvo de vários ataques ucranianos e agora surgem notícias de que empresas ligadas ao Kremlin e chinesas estão a desenvolver um projeto secreto que visa a construção de um túnel subaquático entre as duas margens, mas será possível compreender um obra desta dimensão num cenário ativo de guerra? E por que está Moscovo disposto a mais um esforço financeiro de milhares de milhões de euros?

O coordenador da Comissão de Especialização em Geotecnia da Ordem dos Engenheiros, Paulo Matias Ramos, acredita que a construção de um túnel subaquático entre solo russo e a Península da Crimeia através do Estreito de Kerch é uma “obra perfeitamente exequível”, sendo que o maior adversário ao projeto secreto do Kremlin serão mesmo os eventuais ataques e boicotes que venham a ser perpetuados pelo exército de Kiev.

“Basta pensar-se no túnel do Canal da Mancha que tem cerca de 50 quilómetros e está a uma profundidade superior a 170 metros”, lembra Matias Ramos, tendo em conta que a profundidade no Estreito de Kerch não vai além de 20 metros abaixo da linha do mar e que a extensão deste troço deverá rondar os 15 quilómetros.

Os pontos mais próximos entre as margens do Estreito de Kerch estão a pouco mais de 15 quilómetros de distância entre si (Fonte: Google Maps)

O que mudou para o Kremlin querer construir um túnel subaquático?

Do ponto de vista estratégico, o major-general Isidro de Morais Pereira considera que este projeto russo-chinês iria criar o “cordão umbilical indestrutível” entre Moscovo e a Crimeia que a Rússia tanto precisa e sempre objetivou. “Não conheço nenhum tipo de munição capaz de atingir um túnel subaquático a tal profundidade”, lembra o especialista, que realça que a Ponte de Kerch – atualmente a ligação mais direta e curta entre a Rússia e a Crimeia – já foi alvo de vários ataques ucranianos e que o Kremlin sabe que, com a chegada iminente dos caças F-16 e eventualmente dos mísseis cruzeiro alemães Taurus, é “uma questão de tempo até que a Ponte de Kerch seja destruída”.

“A Rússia sabe que é uma questão de tempo até a ponte de Kerch ser destruída, quer manter um cordão umbilical à Crimeia e mostra que mais depressa está disposta a perder o controlo do Donbass do que a Península da Crimeia”, lembra Isidro de Morais Pereira.

Isidro de Morais Pereira defende assim que o projeto secreto do Kremlin pode ser entendido como a resposta russa à chegada dos caças F-16 cedidos pelo Ocidente à Ucrânia, como um sinal de que Moscovo se está a preparar para uma guerra duradoura e ainda que, devido à sua posição geoestratégica, a Península da Crimeia será o último território ucraniano que a Rússia está disposta a perder.

Quanto tempo demora a construção de um túnel subaquático no meio de uma guerra?

Esta nunca será uma obra a estar concluída num futuro próximo, como alerta Paulo Matias Ramos, da Ordem dos Engenheiros, que não arrisca um prazo certo, mas lembra que se o túnel do Canal da Mancha demorou mais de seis anos num cenário de paz, esta é uma obra que só deverá ser concluída pelo menos num período superior a três anos, alertando, no entanto, que este prazo não passa de uma estimativa comparativa e é demasiado incerto perante as circunstâncias inerentes a uma guerra.

O major-general Isidro de Morais Pereira lembra que uma infraestrutura desta dimensão nunca foi edificada num cenário de guerra ativa e também utiliza o Túnel do Canal da Mancha como referência temporal – que tem cerca de 50 quilómetros e foi construído sem qualquer evento bélico a decorrer nas suas imediações – para assegurar que este será um projeto para largos anos.

Certo é que este será mais um esforço altamente dispendioso para os cofres do Kremlin: “São sempre valores acima de um par de mil milhões de euros”, diz Paulo Matias Ramos, lembrando que, aos preços de hoje, “o custo do túnel do Canal da Mancha rondaria os 200 ou 300 milhões por quilómetro”.

Paulo Matias Ramos explica que o Mar de Azov – que se separa do Mar Negro pelo Estreito de Kerch – se caracteriza por profundidades reduzidas e que isso é uma vantagem para um tipo de obra como esta. Perante a topografia da região, o especialista explica que há duas opções que são mais viáveis para a construção deste túnel subaquático: um falso túnel ou um túnel escavado por baixo do leito da água.

A opção do falso túnel é a solução mais económica, mais rápida, mas requer o uso de embarcações de grande porte. Neste tipo de obra é aberta uma vala de grandes dimensões onde, posteriormente, se afunda e são colocadas estruturas pré-fabricadas de betão armado que se interligam entre si, formando o dito túnel. Matias Ramos alerta, no entanto, que há uma contrapartida que pode fazer com que este procedimento não seja viável no caso do Estreito de Kerch: “São operações com vários barcos, o que quer dizer que são sempre suscetíveis a boicotes ucranianos”.

A segunda hipótese passa pela utilização de uma tuneladora – máquina em regra-geral de grandes dimensões utilizada na escavação de túneis -, que começará a escavar o túnel subaquático numa das margens até alcançar a margem oposto, sempre no subsolo por baixo do leito do canal. Este é um processo mais dispendioso e muito mais demorado do que a opção do falso túnel, contudo, fica isento de qualquer ataque ou boicote ucraniano.

Tuneladora utilizada pela Câmara Municipal de Lisboa na execução do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (Fonte: Camâra Municipal de Lisboa)

Existe ainda uma outra hipótese com recurso a trabalhos mais manuais, mas que, por isso mesmo, se torna menos viável aos dias de hoje. Em qualquer dos cenários, Paulo Matias Ramos lembra que estes são cenários meramente teóricos e que qualquer decisão que vai impactar os custos e a demora da obra terá de ter em conta também o terreno e o tipo de solo em questão.

“Isto é só mais um túnel, mas executado num cenário de guerra onde os custos poderão ser bastante potenciados e a finalização atrasada por boicotes. Perante a realidade atual na região, entraria para o top 5 das maiores construções alguma vez feitas num cenário de guerra”, explica o coordenador da Comissão de Especialização em Geotecnia da Ordem dos Engenheiros.

“É uma grande obra de engenharia, mas algo que seria de muito fácil execução num cenário de paz”

O que mudaria com o “cordão umbilical indestrutível” entre a Rússia e a Crimeia?

Com a construção de um túnel subaquático entre a Crimeia e o território russo, a armada moscovita passaria a ter uma rota logística “indestrutível”, como realça Isidro de Morais Pereira, em que as únicas vulnerabilidades seriam a entrada e saída da passagem subaquática, local onde o Kremlin terá obrigatoriamente de “posicionar as suas melhores armas antiaéreas”.

O especialista militar e comentador da CNN Portugal lembra que não há registo de drones, mísseis ou qualquer outro armamento ucraniano que fosse capaz de atingir e provocar danos significativos a uma infraestrutura como esta, construída por baixo do leito do canal com cerca de 20 metros de profundidade.

O jornal norte-americano Washington Post, que cita o conteúdo de comunicações intercetadas pelos serviços secretos ucranianos, revelou na sexta-feira a existência de um projeto secreto entre empresas chinesas e russas (ligadas ao Kremlin) que visam a construção de um túnel subaquático entre a Rússia e a região ocupada da Península da Crimeia, na Ucrânia.

As conversações começaram em outubro e foram motivadas pelas preocupações russas perante as fragilidades da ponte do Estreito de Kerch. Uma infraestrutura crítica para o esforço logístico moscovita e que já atingida por explosões ucranianas em duas ocasiões.

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